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Famílias equilibradas na sociedade dos aloprados (Mt. 5.14-16)

24 abr

Famílias equilibradas na sociedade dos aloprados (Mt. 5.14-16)

Introdução

             O texto de Mateus 5.14-16 na versão “A Mensagem”, de Eugene Peterson, diz:

Há uma outra maneira de dizer a mesma coisa: vocês estão aqui para ser luz, para trazer as cores de Deus ao mundo. Deus não é um segredo a ser guardado. Vamos torná-lo público, tão público quanto uma cidade num plano elevado. Se faço de vocês portadores da luz, não pensem que é para escondê-los debaixo de um balde virado. Quero posicioná-los onde todos possam vê-los. Agora que estão no alto do morro, onde todos conseguem enxergá-los, tratem de brilhar! Mantenham sua casa aberta. Que a generosidade seja a marca da vida de vocês. Mostrando-se acessíveis aos outros, vocês motivarão as pessoas a se aproximar de Deus, o generoso Pai do céu.

 

Não é fácil estruturar uma família numa sociedade de aloprados.

O vocábulo “aloprado” é um adjetivo que nasceu na gíria da língua portuguesa. Os estudiosos da linguagem sugerem que houve com essa palavra uma metátese, um fenômeno linguístico que consiste no deslocamento de um fonema ou de uma letra dentro de uma determinada palavra: era para ser alorpado, de lorpa (adoidado, palerma, imbecil), e acabou ficando aloprado.

            Um rápido olhar para a sociedade contemporânea e fica evidente o nível de distorções que ela apresenta.

Vivemos numa era extremamente perigosa. Uma era onde paradigmas foram alterados, referenciais abolidos, verdades adulteradas, ícones relativizados e substituídos – um tempo de ameaças.

É a sociedade dos excessos, amante das extravagâncias (até os escândalos são espetacularizados). É uma geração apaixonada pelo êxtase, sem qualquer compromisso com o cotidiano e suas banalidades (lavar louça, arrumar a cama, sentar no sofá só para conversar…).

Nesses tempos tão sinistros, precisamos tomar muito cuidado para não sermos absorvidos pela cultura das distorções e dos sugestionamentos (hoje é normal ser estranho, é estranho ser honesto e é difícil ser comum).

No país dos aloprados, malandros ganham milhões e milhões vivem de milgalhas (aposentadoria escatológica).

A família tem sido o grande alvo da artilharia pesada da deusa dessa era – a mídia! Parafraseando Paulo, ouso dizer que “a mídia, a deusa dessa era, cegou o entendimento dos homens”.

Alguém pichou num muro em Brasília: “Ei, se você está tranquilo, é porque está mal informado!”

 

Existem alguns passos, à luz do texto que lemos, para que as nossas famílias sejam equilibradas numa sociedade dos aloprados:

 

  1. Pense grande, mas não despreze o pequeno

            Jesus nos mostra o extraordinário a partir de algo bem simples para aquela geração: acender uma lamparina!

O simples ato de acender uma lamparina faz toda a diferença na escuridão. Há muita gente gastando energia amaldiçoando a escuridão, mas sem tomar a atitude simples de acender a luz!

Jesus nos convida a olhar para o esplendor da cidade, sem nos esquecermos de que esse esplendor é o resultado direto das luzes das casas!

Aqui há um poderoso princípio das Escrituras: o particular, com Deus, faz a diferença no geral sem Deus!

Antes de sermos luz para as nações, precisamos expulsar as trevas da nossa casa! (Que adianta ganhar o mundo inteiro…?)

Pense grande, mas não despreze o pequeno. Isso é equilíbrio.

 

  1. Tenha estratégias, mas não depreze o que é natural 

            Jesus usa duas figuras: a cidade e o monte. Aquilo que é projetado e aquilo que é natural.

A cidade é artificial, projetada, construída; o monte é natural. Sempre esteve lá.

A cidade pode cair, sofre as ameaças. O monte permanece; é o próprio símbolo da permanência.

A cidade é obra dos homens; o monte é obra de Deus.

Jesus parecia gostar mais dos montes do que das cidades. O monte sinaliza a busca pela comunhão com Deus longe dos ruídos da cidade.

Nesse caso, por causa das famílias, o monte fica claro à noite; e por causa do monte, a cidade é vista de longe. Equilíbrio entre as coisas dos homens e as obras de Deus!

Tenha metas, planos, alvos, sonhos, mas nunca perca Deus no meio dos seus projetos!

Que a sua casa esteja acesa no alto do monte: comunhão e luz para os aloprados dessa geração.

 

  1. Desenvolva seus talentos, mas não guarde a luz só para você

            Jesus fala de uma atitude tola, abobalhada, aloprada: acender uma luz e colocar debaixo da cama, debaixo de um vaso. Acender uma luz e cobrir seu brilho é conspirar contra o sentido da luz.

A luz deve brilhar na casa toda: é o princípio da mutualidade – luz para todos. É a essência do vínculo, a quebra do individualismo.

Quando temos essa compreensão aprendemos o equilíbrio nas relações familiares. Um exemplo disso é o princípio da independência grata: esse princípio nasce da junção de duas diretrizes bíblicas: “Deixará o homem a seu pai e a sua mãe” e também “honra a teu pai e a tua mãe”.

O princípio da independência grata quebra a aparente contradição. Para honrar não é preciso ficar; e sair não significa abandonar. Esta é a independência grata: é independência porque deixa e sai; é grata porque volta, cuida e honra!

Jesus mostrou também o propósito da luz: “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que glorifiquem a vosso Pai que está no céu” – a luz que temos não é nossa, é para um propósito: glorificar a Deus.

Numa sociedade de aloprados, perdidos em seu próprio vazio, carentes de propósito, somente a luz da graça é capaz de dissipar a escuridão.

O mundo clama por famílias equilibradas que apontem para a esperança, que sinalizem a luz na escuridão e que mostrem a saída desse labirinto de desespero.

Conclusão

             Famílias estruturadas, equilibradas e saudáveis são curas de Deus para uma sociedade ameaçada.

Que sejamos famílias equilibradas numa geração de desajustados e infelizes.