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Do outro lado da fronteira: entre a teologia do sucesso e a teologia da cruz (João 18. 1)

18 mar

Do outro lado da fronteira: entre a teologia do sucesso e a teologia da cruz (João 18. 1)

Introdução

O texto que lemos possui uma frase marcante, decisiva: “Depois de orar, Jesus atravessou o vale do Cedrom”. A palavra “Cedrom”, no hebraico tem o sentido de “escuridão”. É um vale próximo de Jerusalém, quente e seco na maior parte do tempo.

É mais um daqueles lugares que a Bíblia registra onde se é preciso tomar uma decisão. Travessia! A vida é feita de travessias. Estamos sempre em viagem, peregrinos no tempo e na história. Sempre em caminho, cruzando fronteiras.

Jesus cruza o vale do Cedrom e abraça seu destino. De um lado do vale ele faz uma oração de profunda comunhão com o Pai. Dou outro lado, a angústia da cruz.

Jesus, literalmente, cruz-ou a fronteira! Os discípulos devem ter lembrado das palavras do mestre: “Tome a cada dia a sua cruz e siga-me”.

Do outro lado ele encontra a traição, a violência, a truculência e o desespero. Ele gritará com toda a dor de sua alma: “Deus meu!” De um lado, a comunhão com o Pai, a companhia dos amigos, a mãe e os irmãos. Do outro, a solidão do Calvário!

Existem fronteiras que não gostaríamos de cruzar. Ele será preso, torturado, caluniado, humilhado, ridicularizado, agredido em todos os aspectos e, por fim, crucificado.

Nossa vitória se concretizou na sua decisão: ele foi ao encontro da cruz!

A igreja contemporânea parece fugir da cruz. Alguma distração está nos impedindo de atravessarmos o Vale do Cedrom.

É tempo de travessia! Cruze o vale!

 

O que tem feito a igreja contemporânea ficar do lado da teologia do sucesso?

 

  1. A sedução das vitrines

É o evangelho do sucesso, da fama, do poder. O evangelho 3G: grana, glamour e gambiarra. O evangelho da facilidade, do veraneio, das festas, dos títulos, das honras e glórias, das luzes de neon!

John MacCarthur disse algo avassalador:

“Quando acreditamos que devemos ser satisfeitos em vez de crermos que Deus deve ser glorificado, nós o colocamos abaixo de nós mesmos, como se Deus tivesse sido feito para nós, e não nós para ele. Não há blasfêmia maior do que usar a Deus como nosso servo; e não há pior lugar para isso do que no templo de adoração, onde fazemos a adoração a Deus centralizar-se em nós mesmos, e não nele”.

Uma certeza precisa ser resgatada: existimos para a glória de Deus e não para sermos abençoados, mimados e aplaudidos.

As vitrines da teologia do sucesso reduzem o evangelho a receitas triunfalistas de uma fé fácil que insiste em pregar o sucesso a qualquer custo.

Os cambistas voltaram: ora-se pouco e negocia-se muito!

A renúncia é a pedra que o Espírito Santo usa para estilhaçar as vitrines da teologia do sucesso.

Saia do centro! Cruze a fronteira!

 

O que tem feito a igreja contemporânea ficar do lado da teologia do sucesso?

 

  1. A ausência do arrependimento (Mt. 5. 4: “Os que choram”)

No texto de Mateus 5. 4, Cristo não se refere às lágrimas produzidas pela tristeza de um luto ou de uma perda qualquer, mas à tristeza que nasce do arrependimento.

Uma coisa é reconhecer que sou pecador, outra é entristecer e chorar por causa disso. Confissão é uma coisa, contrição é outra.

Eu preciso sentir uma certa vergonha de Deus: saber que “sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios” (Is. 6. 5)  

O arrependimento rasga o coração (Joel 2. 13: “O coração, não as vestes”). Em Atos 2. 37, a reação dos ouvintes ao sermão de Pedro foi de “coração compungido”.

Deus procura pelas lágrimas do arrependimento. É a tristeza sagrada que produz a transformação e a vida santa. Choremos as lágrimas do arrependimento.

Cruze a fronteira! Abrace a cruz!

 

O que existe do outro lado da fronteira?

 

  1. A teologia da cruz (I Co. 2. 2)

Paulo diz: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado”. Essa é a mensagem que precisa estar em nossos púlpitos: o Calvário!

A mensagem da igreja é a mensagem da cruz. É como diz a letra de um hino antigo: “Sim, eu amo a mensagem da cruz/ té morrer eu a vou proclamar/ levarei eu também minha cruz/ té por uma coroa trocar”.

Não precisamos criar artifícios para encher as igrejas – só precisamos da teologia da cruz!

A teologia da cruz humilha o nosso egoísmo, destrói os palácios da hipocrisia e joga por terra toda a vaidade e orgulho.

Na teologia da cruz não há festas, há pranto. Não há gente dando ordens a Deus, mas servos enviando súplicas!

Voltemos ao Calvário! Cruzemos a fronteira!

Chega das teologias do sucesso e da glória humana, é tempo de voltarmos para a cruz!

 

Conclusão

Forsyth escreveu: “Sobre a obra da cruz descansa toda a igreja. Se tirarmos a fé desse centro, estaremos malhando o prego no caixão da igreja. Se a cruz sair de cena, a morte da igreja estará decretada”.

Stephen Neil escreveu: “Na teologia histórica cristã a morte de Cristo é o ponto central da história. Para lá todas as estradas do passado convergem; e de lá saem todas as estradas do futuro”.